sábado, 16 de abril de 2011

O prazer de ser PROFESSORA

Ontem eu vim conversando com a Erikinha na lotação, comendo um biscoito de polvilho para enganar a fome. Ela bebendo coca-cola para matar a sede e eu bebendo água para afogar as dúvidas e medos. Começamos, por algum motivo, à falar da minha profissão. Na verdade a falar da coisas que ela me fazia sentir. E comecei a questionar minha escolha profissional. Pensei em desistir. Em mudar.De repente me peguei falando dos alunos, dos carinhos, dos risos, dos choros, dos apertos...e no final cheguei a uma conclusão muito básica. "Eu amo o que eu faço" Apesar dos apertos, das falhas, da desvalorização frente a sociedade, de tudo, eu não ligo, realmente amo dar aula, ser PROFESSORA!!! Trabalhar com crianças, estar rodeada de pessoas que assim como eu acreditam que educação é fundamental para uma sociedade melhor ^^ É o que eu sei fazer, o que eu amo fazer e tenho certeza que faço bem e com carinho! Não consigo aceitar um profissional que trabalhe na área da educação e não goste do que faça. Que não seja sincero em suas palavras e atitudes. Trabalhar com crianças é mágico! É ter a cada dia uma história pra contar, um lugar para conhecer, um sorriso pra receber, um abraço pra confortar. Cada vez que vejo o sorriso do Fê ao descer para pegá-lo no portão, meu dia ganha um brilho diferente. Cada palavra aprendida, cada segredo desvendado, cada brilho no olhar por descobrir algo novo...é tanta coisa que eu sinto e não sei como explicar com palavras o quanto isso me faz bem!!! E como dizem por ai: Se aprende muito mais...ensinando!


Bom final de semana queridos e queridas.

Um texto que eu achei legal...e vale a pena ler:

Ensinar é aprender, não é transmitir conhecimentos



Ivone Boechat

Ensinar é aprender. Ensinar não é transmitir conhecimentos. O educador não tem o vírus da sabedoria. Ele orienta a aprendizagem, ajuda a formular conceitos, a despertar as poten...cialidades inatas dos indivíduos para que se forme um consenso em torno de verdades e eles próprios encontrem as suas opções.
A etimologia revela que o substantivo aprendizagem deriva do latim "apprehendere", que significa apanhar, apropriar, adquirir conhecimento. O verbo aprender deriva de preensão, do latim "prehensio-onis", que designa o ato de segurar, agarrar e apanhar, prender, fazer entrar, apossar-se de.
Ensinar: palavra latina insignīre, quer dizer "marcar, distinguir, assinalar". É a mesma origem de "signo", de "significado". A principal meta da educação se processa em torno da auto-realização. Logo, ela propõe a reformulação constante de diretrizes obscuras para alcance dos objetivos, comprometidos com a valorização da vida. A educação carimba a sociedade que deseja ter !
O professor, como agente de comunicação, transformou-se num dos mais pobres recursos e dos mais ricos. Quando se imagina dono da verdade, rei do currículo, imperador do pedaço, mendiga e se frustra. Quando se apresenta cheio de humildade, de compreensão e vontade de aprender, resplandece e brilha!
Os estudantes estão abastecidos por uma carga de informações cuja capacidade de assimilação nem comporta. O ser humano tem potência de semi-deus, com emoções de um mortal. O avanço da era espacial em que vive tornou o homem angustiado pela consciência de sua fragilidade para absorver e superar os desafios à sua volta. É mister que se reestruture o conceito de Escola ou se reconheça a sua derrota. Os que nela atuam não podem continuar a caminhar distantes da realidade, em marcha lenta, porque assim, estão concorrendo para o fracasso.
Repetindo uma expressão muito antiga, “a Escola não sabe a força que ela tem.” Deve-se abolir, de imediato, a cultura do supérfluo, selecionando conteúdos mais significantes e atuais. Não se pode contribuir para que o desinteresse se instale e, conseqüentemente, esvazie o espaço da aprendizagem permanente. O educador deve se preparar para estar apto perante a onipotência da máquina, e não se assustar com a sua eficiência. Estar sempre atento aos transbordamentos da ciência e não se embrutecer na resposta.
De que valem as "reformas" educacionais, se mudanças radicais não ocorrem? Elas passam, os problemas maiores continuam, gerações se substituem e, no universo de perguntas não respondidas, resultados positivos não se operam, muitas vezes. Os enlatados culturais intoxicam como os outros, se transformam em "pacotes culturais" e saem por aí, empacotando a sensibilidade, a criatividade, que tanto contaminam a educação.
Um exemplo? Entende-se barulho como música! Poesia como cafonice, família como utopia, Pátria como sucata. Quem ama educa, educar é educar-se a cada dia, sem a pretensão de preparar para a vida. O poder de adivinhar o futuro o educador não o possui. Ele orienta, para que, em situações imprevisíveis, se processem alternativas. Educar não é ensinar, é aprender.

2 comentários:

Consultora em Educação disse...

Professor

Alguém um dia se propôs a trabalhar na construção de vidas, estudou psicologia, filosofia e as melhores técnicas de comunicação. Passou dias, horas e minutos, observando o comportamento de todas as faixas etárias do ser humano.
Alguém se sentiu vocacionado e, atendendo aos apelos do coração, inscreveu-se na batalha de frente da luta milenar contra os analfabetismos.
Armado de pouquíssimos recursos materiais, postou-se, de peito aberto, levando flechadas federais, estaduais, municipais.
Alguém se especializou nas oficinas mecânicas do ser humano e candidatou-se a reformar conceitos e valores da educação mal orientada.
Alguém se inscreveu no concurso da vida, não se importando de sacrificar o próprio corpo na concorrência desleal de convênios, convenções, tratados e dissídios.
Alguém se fez alheio às dificuldades, tendo plena certeza delas, e saiu disposto a questionar leis, portarias, resoluções e regimentos. Nos desmaios da sobrevivência, impôs-se.
Alguém foi nomeado, designado, empossado para o exercício do magistério, não se perdeu no labirinto do caminho nem se assustou com o fantasma da exigência impossível. Saiu a procurar o aluno perdido nas balas perdidas da guerra civil.
Alguém convive com a distância, com a fome, com a injustiça, com a carência e a canseira, contudo, ensina gerações a acreditar no futuro, a ter fé e não se deter.
Para um ser assim tão especial, só um nome poderia identificá-lo: professor.

Ivone Boechat

Consultora em Educação disse...

Educador

Ivone Boechat

Educador,
por favor, vença,
você não deve permitir
que alguém saia de sua presença
sem se sentir melhor e mais feliz.
Educador,
oferece a flor
de sua vida
ao que sofre
na despedida,
chorando por fracassar;
tente de novo,
ajude a levantar o cansado,
dê a sua mão ao oprimido,
este povo abandonado
que, muitas vezes,
só encontra você
na direção do olhar.