quinta-feira, 30 de julho de 2009

sinos imaginários podem se tornar reais




Era uma noite qualquer, de um dia qualquer, de um mês qualquer, onde qualquer coisa poderia ou não acontecer. Chovia. As gotas de água caiam e levavam com ela as horas, os pensamentos, alguns desejos, lembranças guardas para serem usadas sabe se lá quando.

O lugar ainda estava longe, a vontade de que chegasse logo ia se perdendo por entre o medo do que iria ser encontrado. Sensações corriam pelo corpo, diferentes, juntas, embaralhadas, sem direção.

A menina das duvidas dava passagem para a mulher de coragem. Afinal, ir ao encontro de um desconhecido em plena noite paulistana não lhe parecia nada fora do normal. Não para ela que estava disposta a quebrar alguns dos milhares de muros que havia construído para se proteger do que ela considerava nocivo aos seus sentimentos.

Sua vontade era de escalar, de subir pelas paredes do muro e ver o que havia do outro lado. Subiu. Passo atrás de passo. Lentamente foi levantando sua cabeça. Lá estava...
Era difícil de enxergar algo, as sombras lhe deixava com a visão embaçada. Mas ela insistiu. Estava cansada de deixar as oportunidades escaparem por entre seus dedos, diante de seus olhos sem se mover, sem tomar sequer uma atitude.

Seguiu em frente apesar da timidez momentânea diante de situações novas em sua vida. Olhou timidamente para o rapaz que a esperava em frente ao velho teatro na rua da Consolação. Consolo... talvez fosse o que ela buscasse naquele momento. Palavras amigas, boa conversa, boa companhia, um abraço quem sabe, ela adora abraços apertados, pois a faz sentir-se segura.

Dinheiro. Ingresso. Espera. Conversa. Risos tímidos e olhares que se encontravam e se perdiam por entre as poucas pessoas que também aguardavam o espetáculo. Sem saber que o mesmo já havia começado há tempos. Desde que a menina mulher, o rapaz, e cada um presente naquele lugar deu seu primeiro suspiro ao nascer.

O espetáculo da vida. Do qual às vezes tentamos fugir, reescrever, apagar, deletar, salvar, se salvar. A noite seguiu, a peça começou. O publico aplaudiu, a menina adorou, o rapaz disse que também gostou. Se perdem, se encontram, seguem o caminho. Carros, ruas, faróis que iluminam cada curva feita.

Próxima parada estação de metro terminal Barra Funda. Despedida sem jeito, a volta dos olhares tímidos, a incerteza do que se quer, do que fazer. A menina sai do carro, mas a mulher volta decida pelas duas. Um beijo.

Fim de mais um ato do meu espetáculo.

terça-feira, 28 de julho de 2009

Metades que se completam


Crio a cada dia meu castelo encantado. Com um pouco de tempo, ilusões, sonhos e desejos, eu o ergo sem descansar.

Me perco por entre vontades e conceitos que caminham lado a lado. Tento seguir em frente e teno entender os por quês que encontro pelo caminho. Ás vezes tropeço, paro, vou mais devagar, mais rápido.

Metade de mim é coragem, a outra metade é medo e receio. Uma escreve sobre amor e felicidade, a outra escreve sobre a dor e a busca eterna por aquilo que não se sabe o que é. Uma vive a sonhar e a cantar as coisas boas do mundo, a outra chora sem razão e sem por que.

É sempre assim...uma ri, a outra chora. Qual delas ouvir? Qual seguir? A que voa com o vento ou a que se arrasta pelo chão como uma serpente?

Escolhas...escolhas...escolhas que talvez eu nunca consiga ou precise fazer.

terça-feira, 21 de julho de 2009

Respostas fora da Terra

Deixe a janela aberta mais um pouco,
Quero ver a luz
Do luar.

Quem sabe ela possa
Clarear minhas idéias,
Minhas vontades.

Quem sabe a lua
Tenha as respostas
Que eu preciso.

Quem sabe a lua
Seja mais sábia
Que o meu coração.

Deixe a luz acessa mais um pouco,
Tenho medo de acordar
No escuro.

Eu nunca soube ao certo
O que ser,
Se a menina das dúvidas
Ou a mulher de coragem.

Certezas sempre se perdem com o tempo,
O que fica é a incerteza
E a indecisão.

O vazio não é uma boa companhia.

Tantas coisas por ai
Me levam,
Hesito em arriscar.
Por que o medo de mudar???

Talvez minhas respostas
Estejam mais longe
Do que eu desejo.

Fundo do oceano,
No alto do céu,
Na pedra mais alta.

O vazio nunca á fácil.

segunda-feira, 20 de julho de 2009

a vida é um morago

faça a sua vida ter o sabor que vc quizer,
mas a faça ter algum sabor!!!

Maíra Viana...que delicadeza essa pessoa possui!!! Um dia eu chego lá...rs



Esperando Esperança Quantas vezes mais terei que retocar a maquiagem até você chegar? Ás vezes eu olho embaixo da cama, atrás do armário, dentro da geladeira, nas gavetas da sala, quem sabe eu te encontro, no lugar certo, só pra ser mais feliz, bem assim por acaso... Quantas vezes mais as estrelas cadentes vão me virar a cara negando um pedido? Às vezes eu rezo, acendo uma vela, faço uma prece, jogo minha fé pela janela, depois me arrependo, vou lá, pego de volta, toda molhada, estendo no varal, vento que seca, tempo que passa, e você, nada... Quantas vezes mais vou duvidar da sua existência? Será que estás o tempo todo aqui, como um fantasma, a me acompanhar, sem que eu perceba, na minha cegueira, tua presença invisível, espalhada pela sala, espírito zombeteiro, acenando pra mim, e eu, nada... Quantas vezes mais você vai gritar mesmo sabendo que eu não posso te ouvir? Canta uma música, gesticula, faz mímica, tenta qualquer coisa, eu preciso te ver, não desiste de mim, fica um pouco mais, toma um gole de café, puxa uma cadeira, olha umas fotos, acende um cigarro... Quantas vezes mais terei que me desfazer para te encontrar? Eu ando pela casa, troco os moveis de lugar, mudo a cor do cabelo, jogo as fotos pela janela, depois me arrependo, vou lá, pego todas de volta, estendo no varal, amareladas, tempo que mancha, vento que passa, e você, quase posso te ver, em cada uma delas: perto de mim fazendo careta, sorrindo atrás de uma árvore, correndo por entre nuvens num dia de sol.... Quantas vezes mais terei que lembrar a mim mesma onde foi que eu guardei a minha felicidade? Às vezes eu assobio enquanto penduro a fé no varal, me olho no espelho enquanto você se esconde do tempo num porta-retrato, cativo o prazer dessa incessante busca, fecho os olhos aos acenos e continuo procurando, nos lugares errados, só pra ser mais infeliz, bem assim por acaso...


texto de Maíra Viana, disponivel no site www.mairaviana.com.br

Faz de conta que é real

Faz de conta que meu mundo é exatamente aquele que eu quero que seja. Um lugar onde as diferenças são encaradas como algo normal, e não uma coisa que mereça atenção especial, vagas especiais, cotas disso e daquilo. Faz de conta que não há maldade e hipocrisia, mentira e traição. Viva o amor em sua plenitude.

Faz de conta que o menino de rua não trocou a escola pelo farol, só por que achou que as cores dele eram mais bonitas do que as da parede de sua sala de aula. Que o catador não teve opção de trabalhar e conseguir algo bom, e que a gente não o vê passar por ai quando saímos a caminhar por ai. Afinal, o que os olhos não vêem o coração não sente.

Faz de conta que tudo que eu quero da certo. Que eu não sofro, não erro, não aprendo, não cresço. Que eu posso abrir mão do meu cargo de adulto, que me diziam ser tão legal, mas que até hoje só me trouxe responsabilidades, uma atrás da outra. Faz de conta que eu sei lidar com todas elas, e que nada me fere, me derruba ou impede meu caminho.

Faz de conta que meu príncipe encantado é único, e por isso ainda não o encontrei. Que ele anda por lugares diferentes dos que eu ando, que eu não procuro ou me dou a chance de tentar. Que eu não penso nele, que eu não o imagino, que eu não preciso dele, e sim o contrario. Por que todos sabem que por trás de um grande homem há uma grande mulher, o que significa que ele é pequeno, já que eu não estou com ele, o que dificulta muito mais o encontro.

Faz de conta que nunca me apaixonei ou chorei por amor. Que nunca escrevi um poema bobo e sem sentido, que nunca traduzi uma música do meu jeito só para combinar com o garoto da vez. Que nunca li um livro sem me imaginar no lugar da personagem principal, e é claro com direito a final feliz e tudo mais que eu tivesse direto.

Faz de conta que nunca me senti traída. Que ninguém nunca mentiu ou me enganou. Que nunca fui passada para trás por nenhuma pessoa, muitos menos alguém que eu julgasse ser meu amigo.

Faz de conta, acima de tudo, que eu nunca perdi uma pessoa muito querida, muito amada e admirada por mim, sem poder dizer o quanto ela era importante para mim. Que ela não vai fazer falta, que ela pode voltar.

Faz de conta que eu não escrevi isso para que quem lesse soubesse um pouco mais de mim, faz de conta que você nem leu, faz de conta que o tempo não passou. Mas apenas faz de conta...

casos e acasos em um mundo de ilusão

Às vezes me vejo perdida e sozinha em um mundo que eu mesmo criei. Personagens que eu inventei tomam vida e tentam me fazer ver coisas que eu sempre me neguei enxergar. O medo vez ou outra resolve aparecer para me trazer sua companhia, dispensável, eu diria.

Na televisão imagens surgem aos montes sem me dizer muita coisa. Não entendo o que eles falam, talvez eu não queira mesmo. Este idioma não é o que eu falo, e acho que todos percebem isso às vezes. Quando paro de caminhar minhas palavras continuam a seguir, mas não sei o que dizer, por que talvez eu não queira falar. Pra que dizer mentiras? Ou será que minto verdades?

A língua que eu falo nem mesmo eu entendo.

Desastre de um desejo enorme de viver uma vida diferente, uma vida livre de conceitos que eu criei para me proteger, que me deixou só com minhas frustrações infantis. Vontade de correr mesmo sem saber a direção que devo seguir. Medo do que irei encontrar pelo caminho. Vontade de seguir em frente.

O dia parece noite mais uma vez aqui no meu quarto. Segue sem parar o desejo de voltar. Para onde? Por quê? Qual é a diferença entre o talvez e o tanto faz? Sei lá... talvez... tanto faz.

Tem dias que da vontade de sumir, e poder evaporar lembranças, pedaços, restos sem deixar rastros. Sorrisos brancos de almas negras me rodeiam e tentam me fazer pensar como eles. Há horas de luz e outras de horrores, alternados durante o dia.

A língua que eu falo às vezes nem mesmo eu entendo.

Mas um dia eu aprendo, um dia eu cresço. Não dá para abrir mão de certos cargos na vida, como o de adulto, por exemplo. Um dia tudo muda. Muda o dia em um dia, tudo muda algum dia.