Às vezes me vejo perdida e sozinha em um mundo que eu mesmo criei. Personagens que eu inventei tomam vida e tentam me fazer ver coisas que eu sempre me neguei enxergar. O medo vez ou outra resolve aparecer para me trazer sua companhia, dispensável, eu diria.
Na televisão imagens surgem aos montes sem me dizer muita coisa. Não entendo o que eles falam, talvez eu não queira mesmo. Este idioma não é o que eu falo, e acho que todos percebem isso às vezes. Quando paro de caminhar minhas palavras continuam a seguir, mas não sei o que dizer, por que talvez eu não queira falar. Pra que dizer mentiras? Ou será que minto verdades?
A língua que eu falo nem mesmo eu entendo.
Desastre de um desejo enorme de viver uma vida diferente, uma vida livre de conceitos que eu criei para me proteger, que me deixou só com minhas frustrações infantis. Vontade de correr mesmo sem saber a direção que devo seguir. Medo do que irei encontrar pelo caminho. Vontade de seguir em frente.
O dia parece noite mais uma vez aqui no meu quarto. Segue sem parar o desejo de voltar. Para onde? Por quê? Qual é a diferença entre o talvez e o tanto faz? Sei lá... talvez... tanto faz.
Tem dias que da vontade de sumir, e poder evaporar lembranças, pedaços, restos sem deixar rastros. Sorrisos brancos de almas negras me rodeiam e tentam me fazer pensar como eles. Há horas de luz e outras de horrores, alternados durante o dia.
A língua que eu falo às vezes nem mesmo eu entendo.
Mas um dia eu aprendo, um dia eu cresço. Não dá para abrir mão de certos cargos na vida, como o de adulto, por exemplo. Um dia tudo muda. Muda o dia em um dia, tudo muda algum dia.
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